segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Momentos de Devaneio

                                                                                                                                   MARIA LUÍZA D C
“Eu aceito” - Durante uma cerimônia de casamento, esse foi pra mim como um sinal, sim, um sinal para que eu voltasse ao meu passado, como se eu pudesse me rebobinar assim como se rebobina uma fita cassete. Lembrei-me do cavalo, em que fui para a cidade para me casar, da pequena  igreja em que  me casei. Lembrei-me de quando lá estava eu preparando o tutu – espécie de comida preparada com feijão e farinha de mandioca- para servir os convidados, nas panelas de finco - utensílios arredondados com quatro pezinhos (fincos) que só se adaptam bem em fogões à lenha - à qual peguei emprestado de minha comadre.
 Aquele cheiro de lenha queimando no fogão ainda está bem vivo na minha memória.
 Ouço também o  barulho do trote do cavalo em que minha madrinha vinha montada  trazendo o vestido de noiva  para a minha entrada,  e que tinha sido tecido a mão e que para mim reluzia, de tão branco. Ainda consigo ouvir nitidamente  o soar da sanfona juntamente com o cantar dos grilos da fazenda onde morei. Fazenda no alto do morro, morro mineiro, morro que ficava ao leste de Minas, de onde se avistavam as montanhas que cercavam a belíssima e histórica de Ouro Preto.
Por um instante eu vivi e senti novamente os alvíssimos grãos de arroz caindo sobre meu vestido, os mesmos grãos que desapareciam na camisa também muito branca de meu noivo e se destacavam no terno negro do meu pinguim rei.
 Os “vivas” voltaram a minha cabeça como uma leve brisa após uma chuva de verão. Cada instante, cada cheiro, cada sensação voltou e eu pude viver aquele 24 de maio novamente, mesmo que por pouco tempo, pois rapidamente as lembranças  se foram, voltaram para 1974, uma vez que 2014 me chamava  de meu devaneio.
 Ai que saudade da minha terrinha, do terreiro que eu varria cantando todas as manhãs com vassoura de alecrim. Enquanto fazia o meu serviço podia ver o meu pai, preparando e fumando seu cachimbo  abastecido com fumo de corda, que por sinal cheirava muito forte. Esse aroma de palha queimada logo se espalhava pelo quintal me obrigando a entrar para o interior da residência. Era quando eu avistava minha mãe lavando a louça, areando as panelas com o sabão de cinza, sabão negro.
 Até hoje sinto saudade daquele varal de corda sustentado por bambus, de onde, quando eu estendia a roupa, podia ver a enorme mangueira da qual eu tinha medo, pois minha mãe sempre dizia  “menina, menina ‘ocê’ sabe que se ‘ocê’ passar de baixo da mangueira vai ter azar?”
Talvez por causa dessa  crença de minha mãe, cresci sem experimentar o doce sabor de uma manga e, por mais incrível que pareça, foi com mais de 27 anos  de idade que eu tomei, pela primeira vez, o suco dessa fruta.
Aqui hoje estou eu, há treze anos morando em Sorocaba, no jardim Novo Horizonte, bairro que se localiza entre o Jardim Maria Eugênia e Nova Sorocaba.
É um lugar simples, de gente simples. Antigamente nesse lugar existia uma horta enorme que abastecia de verduras e legumes toda a região. Eu não a  conheci, porque quando vim morar aqui, ela já havia se transformado num bairro, como tantos que surgiram na zona norte ultimamente.
Apesar de gostar daqui, o lugar que mora em minha cabeça e meu coração é a minha querida Bom  Retiro, MG.
 Ainda hoje quando vou varrer a casa canto a música do meu cantor predileto, Almir Rogério, que me faz me lembrar de um passado que me traz muitas saudades.
                                      
Texto feito a partir de entrevista com a senhora Zilda s. Coelho, 61 anos avó da aluna autora

 IMERGINDO-ME EM RECORDAÇÕES
                                                                                                                               Evellen Layza  

      Lembro-me como se fosse ontem: bem de tardezinha, o sol quase se pondo, e eu já estava na rua vendendo sorvete na minha cidade de Sorocaba, que nem asfaltada era, pura terra. Recordo-me até hoje daquele cheiro de mato molhado. Nossa vida era difícil pois papai ganhava muito pouco, apenas  o suficiente para não morrermos de fome e frio. Enquanto caminhava, a poeira batia em meus olhos e os fazia ficar cheios d’ água.
      Frequentei semanalmente  a casa do meu avô paterno, que tinha um enorme quintal com galinheiros, horta e pomar, e um riacho que vinha de longe, torcendo –se pelas profundezas da mata e ali se alargava preguiçosamente, como  que para repousar as águas cansadas de rolar entre as pedras. Mangueiras imensas com sobras frescas e balanços tentadores amarrados nos galhos. Ali ficava horas inteiras saboreando, a poesia simples daquele pedaço amável da natureza.
      Então cresci e com mais ou menos sete anos de idade ganhei uma bicicleta. Naquele mesmo dia eu desci toda a rua, mas ela se parecia mais com uma montanha de tão alta. Como o costume de todos os meus amigos, eu descia correndo, no máximo que a bicicleta permitia, fazia  a curva na esquina e subia a rua deles, que era uma subida, por isso tinha que embalar bem. De repente minha bicicleta foi para o outro lado da rua e bati o pneu da frente na sarjeta do outro lado. Perdi as contas de quantas vezes eu vi o horizonte mudando o céu para a terra e vice-versa e fui parar a cerca de cinco metros da sarjeta.
     Com nove anos comecei a trabalhar na guarda-mirim para ajudar meu pai e também estudava. Não gostava de ir para a escola, mas era esperto e isso acabava ajudando.
     Como sempre era costume,  aos domingos eu, meus pais e meus irmãos íamos à igreja e foi lá que conheci uma linda moça pela qual me apaixonei. Passaram-se os anos e eu me casei com aquela bela jovem. Eu tinha vinte e três anos e ela vinte e um. Após três anos, tornei-me  papai. Minha filha nasceu linda e saudável, um pequeno anjo em nossas vidas. Ela cresceu...cresceu...  Cada dia mais linda.
      Após nove anos, lá veio outra grande notícia: outro anjinho estava prestes a nascer. Que alegria!!!
Enfim agradeço muito a Deus por tudo que já passei e pela educação que recebi dos meus pais e continuo lutando muito para que minhas filhas tenham uma infância e um futuro bem, bem melhor do que o meu. Esses momentos não voltam mais: a magia encantadora de ser uma criança, sem drogas, sem violência e pura, muito pura.
     São belas passagens que só ficam guardadas na lembrança.
    Texto baseado em entrevista  com Esequiel A, pai da autora.

REENCONTRO DE UMA VELHA AMIZADE

                                                                            Vitória  P M
     Um dia desses estava passeando num shopping, quando avistei de longe uma velha amiga, muito importante para mim. Seu nome é Magda. Fui me aproximando cada vez mais para ter certeza de que era  ela mesma e felizmente percebi que era e fomos recordar nossos tempos de infância.
     Lembrei-me que nos divertíamos nas praças de Sorocaba. Nós brincávamos de muitas coisas, como por exemplo: pular corda,queimada, unha na mula, passa-anel e feijão queimado, mas nada disso era tão emocionante como ir à casa de minha amiga e ficar brincando na banheira. Muitas vezes aprontávamos altos na rua Sete de Setembro e, às vezes, entrávamos de penetra nas festas de aniversário para pegar um pouco de bolo, uns  salgadinhos, entre outros. Nessa época era gostoso pois não havia tecnologia e as brincadeiras se tornavam mais saudáveis e mais prazerosas. Essa época já passou e eu não gostaria de voltar pois estou vivendo um momento muito bom em minha vida,  mas minha amiga não: ela perdeu seu marido em um acidente de carro há dez anos.
     Gostaria de voltar a um lugar muito importante para mim que fez parte de minha infância com Magda, e que frequentávamos todos os finais de semana: o clube Shangri-la, em Brigadeiro Tobias, onde fazíamos piquenique e víamos o por do sol.
       Esse lugar, infelizmente, já não existe mais. Quem o frequentou nas décadas entre 1970 e 1980, certamente não o reconheceria nos dias de hoje. O espaço está abandonado há anos e há marcas de destruição por todos os lados, seja pelas intempéries, ou pela ação de vândalos. O espaço está todo coberto por mato, lama e com água acumulada nas piscinas e em pontos isolados. Moradores vizinhos preocupam-se com a proliferação do mosquito  Aedes aegypti, transmissor da dengue, e, também, com pessoas estranhas que invadem o lugar para usar drogas. Antigamente o clube era cheio de árvores, piscina, casinha de boneca. Era um lugar para lazer e eu o amava.
Casei-me com  dezenove anos na igreja Nossa Senhora Aparecida e fui tirar fotos e fazer vídeo na praça Pio  XII, na avenida Pereira da Silva mais conhecida como Praça do Coreto, no bairro Santa Rosália. Era uma praça bastante arborizada, em estilo inglês e abrigava um charmoso coreto. Hoje ao lado da praça temos  o Villàgio Shopping e a igreja Santa Rosália. Lembro-me até hoje da história da igreja Santa  Rosália, apesar de hoje ser evangélica. A igreja foi construída no início do século vinte e décadas após teve que ser demolida por medida de segurança. No dia 02 de agosto de 1964 , a Vila de Santa Rosália ganhava um  novo e moderníssimo templo, em honra à sua Padroeira.
       Sempre me emociono ao ver que amigos meus de infância estão bem e vivos, mas fico triste ao lembrar que alguns entes queridos já não estão mais entre nós, mas sei que eles estão bem, lá em cima com nosso Deus querido porque eles foram boas pessoas no mundo.
 Depois de lembrar o que aconteceu em nossas vidas tive que ir embora pois tinha que ir buscar minha filha na escola.

        Texto com base em entrevista feita com a senhora Aracelis P P M, 49 anos, casada , moradora do bairro Jardim Maria Eugênia, Sorocaba, SP, mãe da autora.








Cidadezinha
                                                                                              Keren A A da Silva
       Hum!!! arroz e feijão, no prato, saboroso, mas duro de conquistar.Foi assim a minha vida com bastante esperança e lutas para nunca mais passar pelo que passei: ficar sem comida no jantar é difícil... Nasci em Barbosa Ferraz, no estado de Paraná, onde morei  por 9 anos.
      Esse tempo não foi como um mar de rosas vermelhas, com tudo de bom e de melhor. Lá era uma delícia de viver, não tinha rua asfaltada, não tinha casas com luxo como hoje, era uma cidadezinha sonhadora, sonhando  conseguir ser uma cidade melhor. Agora   a  minha Barbosa está reformada, construíram vários pontos turísticos como a Rodoviária Municipal,  o Estádio Municipal entre outros. Hoje tudo é diferente: as ruas têm asfalto, as escolas são modernas, reforçadas, boas casas, com luxo, prédios, hospitais etc.
      Minha casa ficava perto de uma mata enorme que se juntava com as plantações. Era casa de madeira de lei e  uma das menores da vila. Eu tinha uma melhor amiga, a Renata, que era bonita, simpática e inteligente. Nós  éramos as amigas que nunca se desgrudavam. Ela morava perto da minha casa. Só que essa amizade não durou muito tempo. Acabaram os passeios acabou a diversão,  acabou uma amizade de que sinto saudade até hoje. Sabe por quê? Meu pai tinha resolvido vir para Sorocaba! Dessa decisão não gostei. No começo chorava em silêncio para ninguém suspeitar. Na minha mente era muito estranho começar a metade da minha vida em outro lugar. Mas tive que vir, fazer o quê...
     No caminho, na vinda para Sorocaba coloquei minha cabeça no banco do caminhão e ficava observando a paisagem da minha cidadezinha que foi ficando pra trás e a comparava com a de Sorocaba e não gostava do que via. Eu praticamente amava a minha cidadezinha, então, no começo, não gostava dessa cidade volumosa. No início,  o local onde fui morar era coberto pelo mato, igual a minha cidadezinha paranaense. Depois os prefeitos foram mudando, tornando a cidade um pouco mais bonita.
     Como eu não estudava,logo que cheguei fui procurar um trabalho. Meu primeiro foi o de empregada doméstica, depois cozinheira e em seguida  em uma empresa.
      E os tempos rolaram, cresci, namorei e tive meu primeiro filho e hoje tenho mais duas meninas. Sinceramente para uma mãe que passou por momentos difíceis, só quero que essas dificuldades não venham a fazer parte da vida de meus filhotes.
     O tempo trouxe o que eu queria e o que eu não queria. Como o que  ele trouxe, ele leva, sinto saudade daquela cidadezinha.
     Hoje estou com 37 anos, e ainda me lembro daquela menininha magra, com os cabelos longos e pretos, sonhadora, que não desistia fácil do que queria e que chorava em silêncio. Ela está aqui batalhando e buscando fazer o impossível.
     Barbosa Ferraz, Paraná, nunca me esquecerei de você, pelo contrário, guardarei as lembranças e elas farão emocionar a quem eu contar desse amor.
                                                                  História baseada na vida da mãe da autora.


RECORDAÇÕES
                                                                                                                                                                                     Maria Eduarda de A
     Assitir à tv é bom, mas brincar à luz do sol é melhor ainda. Quando eu era criança, eu brincava todas as tardes com os meus primos, meu irmão e meus amigos. Todo dia, depois da lição de casa, porque se não mamãe não nos deixava sair. Eu e  meu irmãozinho, Graciel, tínhamos sempre atividades a fazer e não fizesse pra ver! Tínhamos que enfrentar a fúria de duas feras: nossa mãe e a professora. Além disso, se eu não cumprisse minhas tarefas  eu teria que ficar na escola nas férias para conseguir nota para passar de ano.
      Eu me recordo de como eu recebia carinho dos meus pais, dos meus avós e dos meus tios. Meus tios contam que eu ficava brincando com os cabelos deles e eu fingia que eu era cabeleireira, mas eu não deixava ninguém  tocar nos meus cabelos. Eu ficava irritada e enfezada .
     Mas o que eu mais me recordo é quando minha mãe fazia café. Ela juntava aquela água com açúcar e moía a semente do café para torna-lo pó.  Quando eles se tocavam no coador a cena  me lembrava uma cachoeira batendo em um lago parado. Era simplesmente a coisa mais bela e perfumada que trazia a casa uma atmosfera tranquila e calma.
     Eu meus amigos brincávamos na rua e a gente fingia que derrotava dragões e que éramos cavaleiros defendendo a nossa pátria. Em nossa imaginação havia guerra e destruição,  e lutávamos com nossas espadas que na verdade, eram apenas gravetos de madeira, mas que  para nós  tratava-se de bravas espadas de ferro e de aço . Para a gente miúda  as melhores eram as de ouro porque elas eram apenas  para reis e rainhas e eu sempre quis ser a rainha mosqueteira para todos temessem quando pronunciassem o meu nome dizendo “Gracieli Pereira Borges”
     Tudo isso porém existia apenas em nossos sonhos porque a realidade era muito diferente.
     A casa onde eu morava era muito pobre. Suas paredes não tinham reboque, nem piso e nem pintura. Os quartos eram só dois, mas éramos quatro em casa e eu tinha que dividir o quarto com o meu irmão.
     Eu morei em Botucatu,  cidade do interior de São Paulo, a  maior parte da minha vida. Aquela cidade é um bom lugar para se aproveitar a infância e eu aproveitei.
     Mas agora eu vou fazer um café para eu recordar de novo da infância maravilhosa que eu tive.
     Memórias Literárias produzidas a partir de entrevista com a mãe da autora, senhora Gracieli B de A.









O TEMPO PASSA MAS AS LEMBRANÇAS FICAM
                                                                                                                                                                                                                                STEPHANIE R
Eu sou o caçula  de uma família simples, mas que não desiste dos seus sonhos. Minha família era muito pobre e não era fácil para minha mãe e meu pai sustentarem 16 filhos e pagar aluguel. Nós morávamos em uma casa de fundo, no bairro Mineirão.
As minhas brincadeiras pelas ruas de terra eram papagaio (pipa), peteca, pula-corda, unha-na -mula, corrida...
Como não havia luz elétrica em casa, também  não tínhamos  tecnologia. Então quando chegava por volta de 18 horas a gente tinha que acender o lampião. Quando eu chegava da escola, por volta das 16:50  eu via minha mãe varrendo a casa com a vassoura de palha e de longe eu sentia o cheiro de pão caseiro, que ela fazia. O cheiro e o sabor eram divinos. Eu também escutava a campainha do bule, avisando que o café estava pronto. Mamãe pegava  o açucareiro e colocava açúcar no café e  chamava  os meus irmãos  e eu para lancharmos. Mas hoje infelizmente ela já não está viva e o meu pai também faleceu.  Sinto muita falta deles.
 Quando minha mãe estava viva, ela mandava várias cartas, para todos os parentes dela que moravam em outra cidade. Ela pegava o papel e a caneta tinteiro, e passava o resto da tarde escrevendo. Às vezes não dava tempo de escrever as cartas porque ela estava costurando e fazendo crochê.  Ela era uma mãezona.
Algumas vezes eu vejo a foto dela e a do meu pai que foram tiradas no lambe-lambe- aqueles fotógrafos ambulantes que ficavam geralmente postados em praças e jardins públicos.
Depois que o meu pai e minha mãe faleceram, eu comecei a morar com os meus irmãos.Nessa época eu ia pra escola, mas não ia muito bem nos estudos. Eu me lembro que tinha uma professora de matemática que não gostava muito de mim. Certa vez ela marcou uma prova e falou que se eu fosse mal, eu iria repetir de ano, e, por medo, eu estudava todos os dias. E eu estudei muito, muito mesmo. Quando chegou o dia  eu fiz  a prova e na hora em que eu iria sair da sala meu amigo Jacó espiou e viu que eu tinha tirado "A" na prova dela.
O tempo passou e eu terminei os estudos. Era um jovem que passeava muito com os amigos e em uma dessas saídas eu conheci uma bela jovem que se chamava Kallen. Foi amor à primeira vista. Eu comecei a namorá-la e quando fizemos 2 anos de namoro, ela ficou grávida e nós decidimos  nos casar. Depois de 9 meses nasceu a pequena Stephanie, linda como a mãe, com cabelos negros e olhos que pareciam duas jabuticabas de tão negros.
Depois que minha filha nasceu,  eu comecei a trabalhar na fábrica ZF. Nessa época eu passei difíceis condições de vida, mas por pouco tempo.
Depois eu comecei a trabalhar na fábrica CBA com um  salário  ótimo e eu e minha família nos mudamos para o bairro São Guilherme, um lugar excelente para se morar. Na época em que eu me mudei, tinha mais terrenos vazios e matagais, mas hoje tem muitas casas residenciais e comerciais e um shopping na  avenida  Itavuvu.
Minha mulher ficou grávida de novo,  dessa vez de um menino e agora  eu posso dar uma condição melhor para minha família.
Algumas vezes, bate uma saudade, mas nós vivemos o presente não o passado.
Texto baseado em entrevista com o pai da autora.




RECORDAÇÕES DE UMA VIDA
                                                                                              Mayara  de P Neres 

     Estava  escutando rádio e de repente tocou a música “Meu Reino Encantado” com o cantor Daniel. Enquanto  a ouvia eu me recordei do passado e do tempo em que essa melodia, gravada por outro cantor, fez parte de minha vida.
     Quando tinha oito anos morava em uma casa feita de barro, chão sem piso.  Dormia em uma esteira  feita de palha ou taboa (secava a palha ou taboa,  trançando-a) estirada no chão. Usávamos roupas feitas de saco de farinha.
    Minha infância não foi fácil pois não pude estudar porque meu pai não deixava. Tentei estudar sem seu consentimento  e consegui ir até o quarto ano. Meus pais iam muito cedo para a roça eu ficava para cuidar da casa. Eu fazia toda a tarefa que tinha em casa, de modo que meus pais não desconfiassem, em seguida colocava o uniforme e seguia rumo à escola. Depois de quatro horas eu voltava  para casa, tirava o uniforme e colocava-o embaixo do travesseiro, trocava de roupa e passava lama no corpo para parecer que estava suja. Revia tudo para conferir se estava como o esperado e levava a marmita para meus pais que estavam na roça.  Minha mãe me ajudava, pois ela achava que se eu estudasse poderia ter um emprego melhor e poderia tirar minha família do sufoco.
      Mas um dia meu pai foi trabalhar e  voltou cedo, me pegou colocando o uniforme embaixo  do travesseiro e me sujando. Por um segundo fui ao banheiro e, quando voltei, meu uniforme e meus materiais estavam todos picados. A partir daí não pude mais ficar em casa e tive que trabalhar na lavoura.
     Tempos  depois, vim para Sorocaba, consegui me alojar em uma simples casinha na vila Hortência, em um cortiço, com minha irmã. Depois fui morar na Vila Santa, perto da igreja Santa Rita. Finalmente com quatorze anos recomecei os estudos na escola Visconde do Porto Seguro.
      Quando estava com quinze anos minha vida melhorou muito e eu até ia visitar meus irmãos no sítio e lá me lembrava das brigas e outras coisas. Fui até perto do poço para sentir o cheiro de mato molhado nos dias em que brincávamos na chuva.
     O lugar mais longe que já fui é Curitiba, no Paraná. Viajei  pois minha patroa, me disse para ir acompanhar  a sua filha e que  as despesas já estavam todas pagas. A viagem foi em época de carnaval, bem no dia do seu aniversário. Além de eu acompanhar a jovem na viagem, era também um presente de aniversário para mim. Foi muito emocionante, nunca vou me esquecer de meus amigos.  Foi uma amizade rápida, mas passamos cada momento maravilhoso no porto João Paulo segundo.  O trem passava bem em frente, mas infelizmente não tive a oportunidade de entrar pois  estava fechado.Também me lembro da pedra de tartaruga, mas não cosegui vê-la porque ficava em Vila Velha. Tenho muitas fotos de lá.
     Hoje moro no jardim Maria Eugênia. Antigamente antes 1981 esse lugar era uma fazenda e barro. Depois surgiu um conjunto de casas populares. Quando saiamos para trabalhar ou passear, depois de uma chuva tínhamos que colocar uma sacolinha no pé para entrar no ônibus para não sujá-lo.
No início as casas não tinham muro, cada vizinho construía o seu para não haver briga, porque assim ninguém demolia os muros dos outros. Naquela época só existia o mercado da Zefa, não tinha açougue, supermercado... Agora temos tudo, até shopping. 
     Meu casamento foi outro fato de que me lembro muito bem pois foi especial. Me casei com vinte e três anos na igreja São Carlos Borromeu. Houve também três casamentos no mesmo dia, depois do meu. Não conhecia as outras noivas, mas elas enfeitaram a igreja para mim. Não gastei nada.
      Após um ano de casada fui embora para São Paulo, trabalhei na Telefunken durante o dia e meu marido também trabalhava lá, só que à noite.
    Depois de um ano engravidei, não era casada no civil pois meu marido era mais novo que eu, só tinha dezoito anos e seu pai não quis assinar o documento porque ele era menor de idade. Quando ele fez vinte e um anos casamos no civil porque não precisaríamos que outros assinassem para nós. Nessa época não pude trabalhar porque estava grávida, já de oito meses e meio. Certa vez, quando estava passando no supermercado, esperando o ônibus, minha bolsa estourou, então fui correndo a pé para o hospital mais próximo que era o "Zona Sul" em Santo Amaro. Meu parto foi normal e correu tudo bem.
      Quando minha filha fez um ano minha irmã foi me buscar em São Paulo para vir morar em Sorocaba. Ela construiu um quarto de madeira nos fundos de sua casa para eu e minha filha morarmos. Minha irmã olhava a menina para eu ir trabalhar. Meu marido começou a trabalhar na fábrica Santo António que hoje é o  shopping Pátio Cianê. Trabalhei a vida inteira como empregada doméstica, até minha aposentadoria. Às vezes não tinha onde deixar minha filha então eu a levava para trabalhar comigo. Depois ela, com três anos, entrou na creche da prefeitura onde hoje é o terminal do interbairros na vila Hortênsia. Quando ela tinha sete anos foi estudar no Sesi onde ficou até a sexta série do ensino fundamental.
     Foi nessa época comprei minha casa,  no jardim Maria Eugênia.  Minha garota foi estudar na escola ”Professora Guiomar Camolesi Souza”  onde ficou até o sétimo ano do ensino fundamental. Alguns anos após, quando estava com dezoito, minha filha engravidou da  minha neta Mayara que foi um presente de Deus e  que chegou para alegrar a minha vida. Depois de um ano e sete meses outro neto chegou também para alegrar-nos: o Matheus.
     O aniversário que mais me emocionou foi em 2011 e 2012 que meus amigos fizeram uma festa surpresa para mim. Foram feitas três festas: uma em minha casa com minha família, uma no clube Konka Music Bar, que já não existe mais, e outra na casa de minha amiga.
Peço a Deus que me leve somente quando  meus netos estiverem casados e com filhos porque me emociono a cada festa deles. No aniversário do Matheus fomos ao parque Natural Chico Mendes e senti novamente o cheiro de mato molhado e percebi de Deus me deu visões e cheiros para me lembrar que meus pais ainda se lembram de mim.
     Então  foi assim a minha vida, mas agora tenho que correr porque a água do meu chá vai secar.

Texto produzido a partir de entrevista com a senhora Anésia M de P, avó da autora


PAÇOCA
 Lucas R Pedroso
           Esta  é a história de um homem gentil, honesto, trabalhador, com cabelos branquinhos igual à neve...
            "Quando eu era pequenino, morava em uma fazenda na cidade de Aiquara, na Bahia. Era uma fazenda grande, com casas  pintadas de azul, com árvores altas e muitos animais, como vacas, bois, galinhas, cavalos, burros, jumentos, bezerros, porcos, patos e ovelhas.
              Com meus 15 anos meu Tio Valentin me levou para pular carnaval, na cidade de Itagi. Eram bailes de rua e havia bailes nos clubes da cidade com shows ao vivo tocando marchinhas.
            Agora me lembrei de uma história muito engraçada de quando eu era pequeno. Aconteceu  em um dia bem friozinho  em que meu pai fez paçoca de amendoim e eu comecei a comer e não quis dividir com meu irmão, e meu pai me fez comer a panela de paçoca inteirinha.
            Depois de um tempo, com mais ou menos uns 16 anos eu me mudei para a cidade de São Paulo, lá conheci uma mulher maravilhosa com quem namorei e estou casado até hoje  e tenho dois filhos maravilhosos: um menino com o nome de Lucas e uma menina com o nome de Júlia, e agora moro em Sorocaba com minha mulher e filhos’’.


quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Saudades de Pernambuco
Lucas V S Maia
Nasci no interior de Pernambuco, em Araripina, uma cidade pequena, onde os prédios podem ser contados nos dedos da mão. As casas eram simples, quase sempre tinha uma cadeira de balanço em frente a elas.
Uma coisa de que sempre me lembro foi quando me queimei. Eu estava dentro de casa, que era simples e ficava em uma “vila” formada por familiares. Nesse dia fui ao quarto de minha mãe acender uma vela para fazer uma reza. Eu estava usando um vestido longo. Fechei os olhos e comecei a rezar e comecei a sentir algo quente.  Quando abri os olhos vi que o meu vestido estava em chamas. Gritei e me joguei no chão tentando apagá-las. Meu irmão foi ver o que estava acontecendo e viu meu vestido se queimando. Ele pegou um lençol e conseguiu extinguir o fogo. Felizmente consegui sair sem ferimentos.
A vila onde eu morava era meio vazia, sem lojas e nenhum luxo com o de hoje em dia. Para comprar algo precisada andar cinco quilômetros para achar uma loja.
Hoje eu moro em Sorocaba, mas vai e vem vou visitar minha família.


terça-feira, 21 de outubro de 2014

Recordações de Pernambuco
Gabriele C dos Santos
      Hoje em dia tudo mudou: antigamente não existia metrô, agora existe, antes os mercados não entregavam as compras, agora entregam.
     O lugar onde eu nasci é Recife. Eu passei minha infância no bairro de Areias e a cidade dica no estado de Pernambuco .
      No passado, no lugar, não havia nada: não tinha mercado , nem padaria , nem shopping. Eu ia fazer compra em mercado longe da minha casa, mas não tinha carro para trazer as compras para casa .
     Na cidade onde vivi minha infância, antigamente, só havia barro e mais barro e assim os carros tinham dificuldade para passar. Agora tem asfalto. Antes as casas eram feitas de madeira e agora mudou: são de tijolos e pisos e tudo que tem nas casas de hoje em dia.
     Hoje eu moro em Sorocaba e eu acho que minha vida não mudou nada porque eu não  trabalhava fora, na época, eu ficava cuidando da minha casa e dos meus filhos que eram pequenos e os levava  para a escola também.
     As ruas do bairro onde eu moro hoje, no passado, não tinha calçadas e só tinha buracos.
     As profissões que existiam e ainda existem são os marceneiros, as costureiras, os sapateiros, as faxineiras, etc.
     Em Recife, quando chovia muito, sempre alagava as casas e não tínhamos dinheiro para comprar barcos para sair do alagamento. Teve um dia que choveu o dia inteiro e alagou a minha casa, onde eu morava com minha família e os esgotos eram cheios de bichos peçonhentos e perigosos. Eu perdi metade das minhas coisas e não tinha como sair de lá e eu tive que sair nadando. Foi então que os bichos saíram do esgoto e começaram aterrorizar as pessoas e elas não sabiam nadar mais rápido do que os bichos. Tinha pessoas que não sabiam nadar e quase se afogaram. Eu fugi das cobras e dos bichos subindo em cima de uma casa e fiquei lá até parar de chover e desentupir os esgotos.  Eu tive muito prejuízo e perdi coisas de valor sentimental, como as que eu guardava com muito carinho e amor .



Sorocabano há vinte anos
Bianca C de Lima
       Moro em Sorocaba há vinte anos. Meu nome é Cícero F de Lima e tenho 47 anos. As memórias que tenho da minha infância é de quando eu tinha doze anos. Os meus brinquedos eram bolinha de gude e pião. Minha adolescência foi boa porque me divertia trabalhando no setor moveleiro.
      Os momentos ruins da minha juventude não os tive, graças a Deus. O melhor momento da minha juventude foi aquele em que comecei a trabalhar e ganhei meu primeiro salário. Meu primeiro trabalho foi na roça.
      As lembranças do meu casamento são as de maior felicidade.  Casei-me com trinta e um  anos e meu primeiro namoro foi com quinze.

     As recordações que tenho de Sorocaba no passado são ruins porque só havia mato na cidade e não existiam pistas de caminhada, ou shoppings bons como há hoje.
TAÍS
                                                                                 Thiago G Prado
               
      Nasci e cresci em Sorocaba no ano de 1975. Minha infância foi muito tranquila, enquanto morei em um sítio em Pilar do Sul com meus pais e minha irmã caçula. O lugar era maravilhoso, porque tive o contato com a natureza , com os animais e alimentos sadios e não havia violência.                
      Agora continuo morando em Sorocaba, no bairro do Maria Eugênia com meu marido e meus dois filhos: Thiago e Letícia.
      O lugar onde eu morava era tranquilo, mas agora tem violência também.
      O fato que mais me marcou foi a separação dos meus pais, quando eu tinha apenas cinco anos de idade e tive que me mudar aqui para Sorocaba. Essa foi uma grande mudança porque minha mãe logo se casou novamente. Foi difícil aceitar um padrasto, uma vez que ele já tinha dois filhos.
      Enfim a gente se acostuma com tudo nessa vida.

      Relato baseado em entrevista com Taís R G Prado, mãe do autor


segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Meu Passado

Karine da S T 
Quando era criança eu gostava muito do lugar onde eu morava, pois tinha vários bichos como cachorro, gato, galinha, etc. Eu brincava de casinha com minha irmã e ficávamos fazendo comida de mentirinha pra dar paras nossas bonecas. De noite eu colocava um lençol na cabeça brincando que eu era um fantasma de verdade e minha irmã até ficava brava por que eu a assustava. Eu estava brincando de esconde-esconde com meu primo e minha irmã. Quando eu estava indo me esconder eu me lembrei de me esconder em cima de uma árvore, mais não foi uma boa ideia, eu cai de lá de cima e doeu muito minha perna, tive que sair com a perna mancando. Minha mãe passou um remédio caseiro, chamado arruda, para aliviar um pouco a dor.  Tinha uma festa pra eu ir ao outro dia, mas não fui porque não conseguia andar. Minha mãe deu o vestido novo que eu tinha pra minha irmã ir, e eu fiquei sozinha com meu pai em casa.
Quando eu cresci e fiquei adolescente, minha irmã e eu começamos a trabalhar com meu pai e minha mãe, na roça, catando e raleando algodão e carpindo. Minha mãe ia sempre ao mercado comprar fiado. Eu a ajudava a pagar as contas. Quando minha mãe ia lá pagar a conta o dono do mercado roubava a gente, porque quando ela pegava uma caixa de bombom, ele anotava duas caixas na conta. Isso acontecia com tudo o que ela pegava lá como sabonete, bolacha, pasta de dente, carne, salgadinho, etc...
Eu estudava às 7 horas da noite e  voltava às 11 horas, de ônibus, para casa, e repetia bastante por falta de estudo paras provas porque não tinha muito tempo pra isso. Já estava com 21 anos de idade e eu queria parar de estudar. Parei no terceiro ano do colegial, e vim embora para Sorocaba. Morei na casa da minha avó, e comecei a trabalhar de empregada doméstica.
Comecei a namorar e depois de alguns anos me casei. Vivi alguns tempos na casa da minha sogra e depois fui morar na minha própria casa. Tenho três filhos hoje e sempre, em dezembro, a família inteira vai visitar minha mãe e meu pai e minha irmã no Paraná.
  HISTÓRIA DE UMA VIDA
 Joyce E dos Santos 
Eu nasci em Araúna (estado do Paraná) e era muito doente.  A minha mãe trabalhava na roça e meu pai era caminhoneiro. A minha mãe pagava uma mulher pra cuidar de mim.
Um dia eu estava brincando de esconde – esconde e desmaiei, caí num buraco e demorou muito pra alguém me encontrar. Quando me encontraram a minha mãe me levou ao médico e ele disse que eu não me dava com o ar de lá (porque o clima de lá era muito gelado e úmido).
Eu tinha sete anos de idade quando viemos morar em Sorocaba, no bairro Aparecidinha. A minha mãe arrumou serviço de costureira e meu pai de guarda-noturno. Meu pai cuidava de mim durante o dia e à noite era minha mãe.  Ela trazia gola de camisa para virar e passar e eu a ajudava.
Eu estudava de manhã e conheci muitos amigos e à tarde eu e meus colegas saíamos para brincar nos rios, na escola , no coreto da praça. A gente brincava de esconde – esconde e outras brincadeiras.
E  quando eu estava com  13 anos a minha mãe foi sorteada com uma casa aqui no bairro Maria Eugênia, mas eu e meu pai não queríamos mudar para cá. Queríamos ficar lá em Aparecidinha
- Eu vou. Se vocês quiserem ficar na favela...- Argumentou minha mãe.
Então nós a acompanhamos. Eu estava fazendo catecismo então eu ia pra lá todo o final de semana e também tinha o bailinho dos formandos da oitava série e do colegial e por isso que eu ia lá e pousava. Quando eu morava lá a minha mãe não gostava que eu fosse aos bailinhos então eu a esperava dormir e pulava a janela e ia.
Aqui no Maria Eugênia não tinha escola na época. Nós íamos estudar na vila Fiori. O governo dava ônibus para nos levar e buscar. Fiquei uns três anos estudando lá na vila Fiori. Aqui não tinha asfalto, as ruas eram um buraco só e quando chovia não dava pra sair de casa com carro, tinha que sair a pé.
Quando fiz 15 anos arrumei meu primeiro emprego em uma fábrica de costura, de ajudante geral. Só que eu era muito curiosa e todos os dias eu sentava nas máquinas na hora de almoço, então o mecânico me ensinou a costurar. Eu tinha sete meses de serviço e quando fiz um ano me passaram a costureira, mas não me deixavam na máquina porque não arrumaram outro para ficar no meu lugar. Então pedi para me mandarem embora.
Eu fiquei com medo de arrumar outro serviço de costureira e não dar conta, mas, mesmo assim, entrei na NIFIT como costureira também e comecei a namorar. Logo em seguida engravidei de um menino e quando ele nasceu eu saí de lá e esperei ele crescer um pouco e logo depois engravidei de uma menina.
Depois fui morar na vila Casa Branca onde morei por quatro anos. Meu pai adoeceu e voltei a morar com meus pais para cuidar dele que tinha enfisema pulmonar. Ele tinha muita falta de ar e por isso ficava mais no hospital do que em casa. Ele tinha medo de ficar em casa porque no hospital tinha os aparelhos. Na última vez ele ficou internado por quinze dias. Minha filha Jéssica estava fazendo quatorze anos e nós não íamos fazer uma festa, mas ele disse que era para fazer e nesse meio tempo ele faleceu.
Era o ano 2000 e ele tinha muita vontade de que eu me casasse. Depois de dois anos tive mais uma filha que se chama Joyce Eduarda em homenagem a ele que se chamava Eduardo.
Depois de dois anos a minha mãe se casou de novo e Deus arrumou uma casinha aqui mesmo no Maria Eugênia. Fiquei muito feliz porque ganhei minha casinha perto da minha mãe.
O meu filho mais velho terminou a faculdade de fisioterapeuta e foi trabalhar em Curitiba ficou lá por um ano e começou a namorar uma amiga pela internet, uma ex-colega da faculdade e também fisioterapeuta e ela engravidou do meu primeiro neto e resolveram se casar .
A Jessica, minha filha, conheceu um rapaz no lugar onde ela trabalha e agora estão noivos. Meu neto está com quatro meses .
Quando eu era jovem em Sorocaba não havia tantos lugares como os que têm hoje em dia como shopping, parque das águas, Quinzinho de barros e centro esportivo .




Através de uma fotografia

 Isabelly Cristine M Martin

     Quando eu vejo a fotografia do sitio da minha família, eu me lembro dos cantos dos pássaros, dos barulhos dos rios e lagos.
      Eu, quando menino, lembro que minha convivência com meus pais não era ruim. Mas já apanhei algumas vezes.
      O lugar onde morava tinha vários animais, era um lugar tranquilo, e gostoso. Mas meus pais resolveram vir para Sorocaba, para que eu tivesse um futuro melhor, porque eles sabiam que não teríamos futuro no sítio onde morávamos.
     Eu fico muito triste quando me lembro dos meus pais biológicos que me abandonaram quando eu ainda era um bebê indefeso, de colo. Mas eu também gosto muito da minha família adotiva por quem eu criei um amor imenso.
     Eu gostava de brincar com meus irmãos de bolinha-de-gude, futebol, pega-pega, esconde-esconde. Eu costumava ouvir histórias do Lobo mau, Chapeuzinho Vermelho.
     Na minha época de escola, até o 3ª colegial , só havia uma professora e ela dava reguadas na gente e deixava de castigo.
     A minha casa era feita de barro e não havia luz elétrica em casa.
     A minha primeira viagem que eu tive foi na praia com meu irmão, Ronaldo.
     Eu me lembro de quando eu caí do cavalo, e fiquei algumas semanas sem memória. E também de quando, um dia, estava brincando e entrei debaixo do carro e sem meu pai perceber passou com o carro por cima de mim.
     Hoje eu tenho uma vida tranquila, eu me reencontrei com minha mãe biológica, e os meus pais adotivos já faleceram. Eu sou muito grato por ter uma família muito linda e feliz.
                                                  
     Relato produzido a a partir de entrevista com Denis Martins, parente da autora









terça-feira, 7 de outubro de 2014

         MINHA INFÂNCIA   
                                                   VITÓRIA F DA SILVA                                          
                                                                                                                                                                         Lembro-me de quando eu era pequeno vivia numa cidade chamada Tavares, no estado da Paraíba, num sítio, o “Sitio Timbaúba”. Lá eu brincava e me divertia muito com meus irmãos e meus primos. Subíamos em árvores frutíferas, escorregávamos em morros, brincávamos de amarelinha esconde-esconde e tais...
Eu ia pra escola como qualquer outra criança. Era um aluno bastante estudioso, mas eu conversava muito e os professores chamavam bastante a minha atenção.  Às vezes me davam até um castigo de ajoelhar no milho e reguadas na palma da mão.
     Antigamente as pessoas trabalhavam em lavouras, plantavam milho, arroz, feijão, algodão e várias outras plantações que eram feitas manualmente devido à falta de tecnologia.  Agora tudo é feito por maquinários comandados por computador.
Eu também me lembro de que uma vez teve uma festa, a Festa de são João que até hoje existe, mas que hoje se chamam festa Junina ou Julina, onde as comidas são na maioria aquelas derivadas do milho-verde.
     Eu também gostava muito de histórias de assombração que meus pais, tios e avós contavam em algumas noites, na beira do fogão à lenha. Apesar de sentir medo, eu me agarrava nos meus irmãos para ouvi-las, atenciosamente, em silêncio até o fim. Quando eu ia dormir geralmente se cobria dos pés a cabeça, suava em baixo da coberta com medo dos personagens assustadores das histórias, mas mesmo sentindo medo, sempre pedia para todos se juntarem na beira do fogão  para que terminassem de contar as histórias, abraçado com meus irmãos para me esquecer do medo que elas causavam. Quanta saudade tudo isso me trás! Ainda bem que tudo isso ficou guardado em minhas lembranças e eu compartilho todas os causos de que me lembro até hoje com meus filhos.
      Eles gostam muito e até pedem para eu contar mais.

                                                                                              
Minha  vida de criança
Vitor K G Borges

  Meu nome é  Giomara, tenho 38 anos. Minha infância foi muito alegre.  Onde eu morava tinha uma goiabeira em que a gente adorava subir.  Eu e meus amigos ficávamos no pé até de noite . Quando voltávamos embora a gente levava goiabas para nossa avó e ela fazia bolo de goiaba, torta de goiaba e suco de goiaba. Quando terminávamos tirávamos a mesa e  íamos  brincar num riacho no  meio da mata. Voltávamos todos molhados  e sujos de terra.


Vida Antiga
Vítor Gustavo
      Nasci e cresci no Paraná na cidade de Moreira Sales. Lá eu brincava muito, andava de bicicleta, gostava de desenhar, mas o que gostava mesmo era de brincar de boneca.
     Antes o bairro onde eu morava era cheio de mato, grandes bois e hoje ele é um bairro grande e bom.
     A escola antigamente era muito legal, eu gostava muito de estudar, os professores eram legais.
     Eu comecei a trabalhar com 14 anos num mercado chamado Suberbol. Fiquei um ano lá.
    Quando maiorzinha eu fui morar em Indaiatuba, no bairro Morada do Sol, que hoje é um bairro grande. Ao completar dezessete anos comecei a trabalhar com padaria,  e segui essa profissão  por dezoito anos.
Agora atualmente moro em Sorocaba, no bairro Maria Antônia Prado, com meu marido e com meu filho.  Sou costureira.





Sem saudades

Vinícius E C Antunes
                               Olá eu sou a Rosana. Na minha infância eu morei em vários lugares: Cubatão, Diadema e Itapetininga. Eu sofria muito porque eu apanhava muito dos meus pais, Almiro e Conceição.  Eu e meus irmãos apanhávamos muito deles, só o meu irmão que não porque ele era "o queridinho". Os momentos que me marcavam era quando eu ia para Lindóia e eu brincava muito e até lá eu apanhava na frente dos meus tios e das minhas primas.
                            Muitas vezes eu ouvia falar dessas coisas de Saci-Pererê, mula-sem-cabeça, mas eu não tinha medo dessas coisas. Antigamente as pessoas não tinham medo umas das outras, mas hoje não, todo mundo tem medo das outras pessoas.
                          Quando eu me mudei para Sorocaba, fui para a Vila Angélica e depois me mudei para a Avenida Ipanema e hoje estou aqui e não sinto saudades de minha infância.

Relato produzido a partir de entrevista com a Srª  Rosana da S C Antunes
Um passeio na Itália
    Vanessa de Q M                  

                 Minha vida se divide em duas partes: antes de ir para Itália e depois de voltar de lá.  Antes eu estava em Capão Bonito, uma cidadezinha pequena e tranquila onde a gente passava na rua e sentia aquele cheirinho de pão caseiro assado saindo do forno. Hum!!! Que saudades!...
                     Eu me vestia como se estivesse em numa tardezinha, no inverno, sempre com um cachecol no pescoço e não podia faltar meu “All Star”, uma marca de tênis que os adolescentes adoravam.
                     Até que um dia minha irmã resolveu me levar para o país dela, a Itália, para conhecer faculdades e escolher algo de  que eu gostasse.
              A viagem foi maravilhosa, eu estava escutando música no fone de ouvido. Até que uma moça pediu que ninguém se levantasse por causa da turbulência. Fiquei com tanto medo... mas ficou tudo tranquilo.      Quando eu cheguei na Itália era  tudo tão bonito e frio ao mesmo tempo e até nevava  de vez em quando.    As pessoas eram muito estilosas,  mas aqui no Brasil é diferente ... Os italianos têm um jeitinho mais meigo de ser e os hábitos de lá também são diferentes, por exemplo: lá é tudo mais tranquilo, não tem muitos roubos e nem muita poluição porque eles são mais acostumados a andar de bicicleta. Lembro-me de que lá eles gostavam de muitas pizzas e molhos.  A comida favorita deles é pizzas e macarrão.
                Essa viagem foi um presente de aniversário de quando fiz 22 anos.
            Quando eu estava andando na rua encontrei um museu e eu, sempre curiosa, entrei. Na entrada tinha um tapete vermelho e uma placa “Castelo Italiano”. Eu fui entrando até que vi um monte de quadros e objetos expostos (espadas, leques, esculturas, vasos e muitas coisas antigas). Recordo-me, também, de que davam biscoitos e ponche para os visitantes.
                 À noite, nas principais ruas e avenidas, havia barracas de molhos saborosíssimos, coisa de outro mundo.  Huuum, que delícia!!!  Também, havia massas de todos os tipos. As ruas eram cheias de confetes e bandeiras, como se fosse uma festa, mas era apenas aos domingos... Por onde eu passasse havia muitos pombos. Fiquei lá na Itália uns seis meses e também conheci meu sobrinho, Stefano. Hoje em dia ele mora com o pai porque a minha irmã faleceu.
               Antes em Capão Bonito era tudo tão mais conservado, havia mais árvores, rios e parques. Hoje ainda tem, mas só alguns e os rios estão poluídos.
               Agora moro no Jardim Maria Eugênia, em Sorocaba, uma cidade em evolução, que está sempre construindo prédios e shoppings.
              Essa é a minha história.


segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Recordações de Fortaleza
Rodolpho Augusto De Oliveira Lima                                                                                                                                                                                                                                          
       Da década de 70 até os dias atuais muita coisa mudou fisicamente na comunidade. Quando vim morar em Sorocaba, praticamente toda a Zona Norte era mato, com estrada de terra. Era muito bom ficar o dia inteiro com os amigos jogando bola, mas hoje em dia tudo mudou: as estradas de terra viraram ruas asfaltadas.  Minha infância foi ótima.                                     
     Em Fortaleza eu morava a  um km da praia, mas não a frequentava por conta do meu pai ser muito bravo, não podia ir nem à casa da minha tia. Lá em Fortaleza o vento era forte, as ondas agitadas e as árvores eram coqueiros e as casas eram bem simples. Eu e meus primos, em Fortaleza, brincávamos muito de brincadeiras legais como pular corda. Comíamos farinha com água, mas hoje em dia eu tenho uma saúde melhor, tenho uma casa melhor e tenho tudo o que queria quando criança.

Relato produzido a partir de entrevista com Alex J B Lima, fisioterapeuta.
   Recordando Minha Infância
Raphael Yuri
     Recordando da minha infância, lembro-me de que eu gostava muito de brincar de amarelinha, pega-pega, esconde-esconde, pula-corda ,etc.
     Uma  da coisas de que eu gostava  era de ouvir a história do Pavão Misterioso ( já na adolescência)que era contada por meu namorado Chico Leão. Nesta época  de namoro eram recitados poemas  já que ele escrevia vários para cantar na praça, que era o lugar onde a gente se encontrava.
     E também na minha adolescência, eu gostava muito de brincar de boneca. Chamava várias amigas e iam em casa para brincar de se maquiar.    Uma vez chamei umas amigas para brincar de boneca em casa e entrou um rato enorme igual a um “dinossauro” e a gente gritava “aaaaaaa um rato gigante” e minha mãe veio com a vassoura e batia no rato e ele corria. Ele chegou perto de mim e eu quase morri de medo, mas minha mãe acertou-o com a vassoura e colocou-o pra fora.