segunda-feira, 27 de outubro de 2014

RECORDAÇÕES
                                                                                                                                                                                     Maria Eduarda de A
     Assitir à tv é bom, mas brincar à luz do sol é melhor ainda. Quando eu era criança, eu brincava todas as tardes com os meus primos, meu irmão e meus amigos. Todo dia, depois da lição de casa, porque se não mamãe não nos deixava sair. Eu e  meu irmãozinho, Graciel, tínhamos sempre atividades a fazer e não fizesse pra ver! Tínhamos que enfrentar a fúria de duas feras: nossa mãe e a professora. Além disso, se eu não cumprisse minhas tarefas  eu teria que ficar na escola nas férias para conseguir nota para passar de ano.
      Eu me recordo de como eu recebia carinho dos meus pais, dos meus avós e dos meus tios. Meus tios contam que eu ficava brincando com os cabelos deles e eu fingia que eu era cabeleireira, mas eu não deixava ninguém  tocar nos meus cabelos. Eu ficava irritada e enfezada .
     Mas o que eu mais me recordo é quando minha mãe fazia café. Ela juntava aquela água com açúcar e moía a semente do café para torna-lo pó.  Quando eles se tocavam no coador a cena  me lembrava uma cachoeira batendo em um lago parado. Era simplesmente a coisa mais bela e perfumada que trazia a casa uma atmosfera tranquila e calma.
     Eu meus amigos brincávamos na rua e a gente fingia que derrotava dragões e que éramos cavaleiros defendendo a nossa pátria. Em nossa imaginação havia guerra e destruição,  e lutávamos com nossas espadas que na verdade, eram apenas gravetos de madeira, mas que  para nós  tratava-se de bravas espadas de ferro e de aço . Para a gente miúda  as melhores eram as de ouro porque elas eram apenas  para reis e rainhas e eu sempre quis ser a rainha mosqueteira para todos temessem quando pronunciassem o meu nome dizendo “Gracieli Pereira Borges”
     Tudo isso porém existia apenas em nossos sonhos porque a realidade era muito diferente.
     A casa onde eu morava era muito pobre. Suas paredes não tinham reboque, nem piso e nem pintura. Os quartos eram só dois, mas éramos quatro em casa e eu tinha que dividir o quarto com o meu irmão.
     Eu morei em Botucatu,  cidade do interior de São Paulo, a  maior parte da minha vida. Aquela cidade é um bom lugar para se aproveitar a infância e eu aproveitei.
     Mas agora eu vou fazer um café para eu recordar de novo da infância maravilhosa que eu tive.
     Memórias Literárias produzidas a partir de entrevista com a mãe da autora, senhora Gracieli B de A.









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