HISTÓRIA DE UMA VIDA
Joyce E dos Santos
Eu nasci em Araúna (estado do Paraná) e era muito doente. A minha mãe trabalhava na roça e meu pai
era caminhoneiro. A minha mãe pagava uma mulher pra cuidar de mim.Um dia eu estava brincando de esconde – esconde e desmaiei, caí num buraco e demorou muito pra alguém me encontrar. Quando me encontraram a minha mãe me levou ao médico e ele disse que eu não me dava com o ar de lá (porque o clima de lá era muito gelado e úmido). Eu tinha sete anos de idade quando viemos morar em Sorocaba, no bairro Aparecidinha. A minha mãe arrumou serviço de costureira e meu pai de guarda-noturno. Meu pai cuidava de mim durante o dia e à noite era minha mãe. Ela trazia gola de camisa para virar e passar e eu a ajudava. Eu estudava de manhã e conheci muitos amigos e à tarde eu e meus colegas saíamos para brincar nos rios, na escola , no coreto da praça. A gente brincava de esconde – esconde e outras brincadeiras. E quando eu estava com 13 anos a minha mãe foi sorteada com uma casa aqui no bairro Maria Eugênia, mas eu e meu pai não queríamos mudar para cá. Queríamos ficar lá em Aparecidinha - Eu vou. Se vocês quiserem ficar na favela...- Argumentou minha mãe. Então nós a acompanhamos. Eu estava fazendo catecismo então eu ia pra lá todo o final de semana e também tinha o bailinho dos formandos da oitava série e do colegial e por isso que eu ia lá e pousava. Quando eu morava lá a minha mãe não gostava que eu fosse aos bailinhos então eu a esperava dormir e pulava a janela e ia. Aqui no Maria Eugênia não tinha escola na época. Nós íamos estudar na vila Fiori. O governo dava ônibus para nos levar e buscar. Fiquei uns três anos estudando lá na vila Fiori. Aqui não tinha asfalto, as ruas eram um buraco só e quando chovia não dava pra sair de casa com carro, tinha que sair a pé. Quando fiz 15 anos arrumei meu primeiro emprego em uma fábrica de costura, de ajudante geral. Só que eu era muito curiosa e todos os dias eu sentava nas máquinas na hora de almoço, então o mecânico me ensinou a costurar. Eu tinha sete meses de serviço e quando fiz um ano me passaram a costureira, mas não me deixavam na máquina porque não arrumaram outro para ficar no meu lugar. Então pedi para me mandarem embora. Eu fiquei com medo de arrumar outro serviço de costureira e não dar conta, mas, mesmo assim, entrei na NIFIT como costureira também e comecei a namorar. Logo em seguida engravidei de um menino e quando ele nasceu eu saí de lá e esperei ele crescer um pouco e logo depois engravidei de uma menina. Depois fui morar na vila Casa Branca onde morei por quatro anos. Meu pai adoeceu e voltei a morar com meus pais para cuidar dele que tinha enfisema pulmonar. Ele tinha muita falta de ar e por isso ficava mais no hospital do que em casa. Ele tinha medo de ficar em casa porque no hospital tinha os aparelhos. Na última vez ele ficou internado por quinze dias. Minha filha Jéssica estava fazendo quatorze anos e nós não íamos fazer uma festa, mas ele disse que era para fazer e nesse meio tempo ele faleceu. Era o ano 2000 e ele tinha muita vontade de que eu me casasse. Depois de dois anos tive mais uma filha que se chama Joyce Eduarda em homenagem a ele que se chamava Eduardo. Depois de dois anos a minha mãe se casou de novo e Deus arrumou uma casinha aqui mesmo no Maria Eugênia. Fiquei muito feliz porque ganhei minha casinha perto da minha mãe. O meu filho mais velho terminou a faculdade de fisioterapeuta e foi trabalhar em Curitiba ficou lá por um ano e começou a namorar uma amiga pela internet, uma ex-colega da faculdade e também fisioterapeuta e ela engravidou do meu primeiro neto e resolveram se casar . A Jessica, minha filha, conheceu um rapaz no lugar onde ela trabalha e agora estão noivos. Meu neto está com quatro meses . Quando eu era jovem em Sorocaba não havia tantos lugares como os que têm hoje em dia como shopping, parque das águas, Quinzinho de barros e centro esportivo . |

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