O TEMPO PASSA MAS AS LEMBRANÇAS FICAM
STEPHANIE R
Eu sou o caçula de uma família simples, mas que não desiste dos seus sonhos. Minha família era muito pobre e não era fácil para minha mãe e meu pai sustentarem 16 filhos e pagar aluguel. Nós morávamos em uma casa de fundo, no bairro Mineirão.
As minhas brincadeiras pelas ruas de terra eram papagaio (pipa), peteca, pula-corda, unha-na -mula, corrida...
Como não havia luz elétrica em casa, também não tínhamos tecnologia. Então quando chegava por volta de 18 horas a gente tinha que acender o lampião. Quando eu chegava da escola, por volta das 16:50 eu via minha mãe varrendo a casa com a vassoura de palha e de longe eu sentia o cheiro de pão caseiro, que ela fazia. O cheiro e o sabor eram divinos. Eu também escutava a campainha do bule, avisando que o café estava pronto. Mamãe pegava o açucareiro e colocava açúcar no café e chamava os meus irmãos e eu para lancharmos. Mas hoje infelizmente ela já não está viva e o meu pai também faleceu. Sinto muita falta deles.
Quando minha mãe estava viva, ela mandava várias cartas, para todos os parentes dela que moravam em outra cidade. Ela pegava o papel e a caneta tinteiro, e passava o resto da tarde escrevendo. Às vezes não dava tempo de escrever as cartas porque ela estava costurando e fazendo crochê. Ela era uma mãezona.
Algumas vezes eu vejo a foto dela e a do meu pai que foram tiradas no lambe-lambe- aqueles fotógrafos ambulantes que ficavam geralmente postados em praças e jardins públicos.
Depois que o meu pai e minha mãe faleceram, eu comecei a morar com os meus irmãos.Nessa época eu ia pra escola, mas não ia muito bem nos estudos. Eu me lembro que tinha uma professora de matemática que não gostava muito de mim. Certa vez ela marcou uma prova e falou que se eu fosse mal, eu iria repetir de ano, e, por medo, eu estudava todos os dias. E eu estudei muito, muito mesmo. Quando chegou o dia eu fiz a prova e na hora em que eu iria sair da sala meu amigo Jacó espiou e viu que eu tinha tirado "A" na prova dela.
O tempo passou e eu terminei os estudos. Era um jovem que passeava muito com os amigos e em uma dessas saídas eu conheci uma bela jovem que se chamava Kallen. Foi amor à primeira vista. Eu comecei a namorá-la e quando fizemos 2 anos de namoro, ela ficou grávida e nós decidimos nos casar. Depois de 9 meses nasceu a pequena Stephanie, linda como a mãe, com cabelos negros e olhos que pareciam duas jabuticabas de tão negros.
Depois que minha filha nasceu, eu comecei a trabalhar na fábrica ZF. Nessa época eu passei difíceis condições de vida, mas por pouco tempo.
Depois eu comecei a trabalhar na fábrica CBA com um salário ótimo e eu e minha família nos mudamos para o bairro São Guilherme, um lugar excelente para se morar. Na época em que eu me mudei, tinha mais terrenos vazios e matagais, mas hoje tem muitas casas residenciais e comerciais e um shopping na avenida Itavuvu.
Minha mulher ficou grávida de novo, dessa vez de um menino e agora eu posso dar uma condição melhor para minha família.
Algumas vezes, bate uma saudade, mas nós vivemos o presente não o passado.
Texto baseado em entrevista com o pai da autora.

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